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terça-feira, 8 de maio de 2012

VOCÊ JÁ PARTICIPOU DE ALGUM TROCA-TROCA?


 * Por Marcisio Bahia- Panguaiala


Em bom "politiquês", o termo troca-troca não tem o mesmo significado do hábito nefasto que algumas crianças desenvolvem por desvio na sua ainda não propriamente ativa sexualidade. A brincadeira, fam...osa nas prosas entre velhos amigos e a resenha - que não é geral, rola solta. Pois bem. acho que posso meter o bedelho numa richa antiga desta cidade, entre dois jornalistas, que são meus amigos e pelos quais nutro respeito e admiração: o eterno embate entre Paulo Nunes versus Hérzem Gusmão ou, como queiram, Hérzem Gusmão versus Paulo Nunes.
Não é propriamente sobre eles dois que a polêmica está solta nas rodinhas de conversas de Vitória da Conquista, quiçá em Vênus, Netuno, Plutão!!!É sobre o lado melhor ou pior que cada um assume no cenário político conquistense. O troca-troca dos dois, no caso estritamente político, é bom que fique bem claro, é apenas o espelho do macro cenário político de um país regido por uma estrutura partidária, governamental e legal que beneficia o fisiologismo ( o velho toma lá e dá cá).


Em tempos não muito remotos, a política, assim como o futebol, o casamento e outras "cocitas mas" eram regidos por rigorosos padrões de conduta, e não eram o regimento, o estatuto ou a aliança que colocavam o cabresto no cidadão, mas sim a ética, o escrúpulo, a moral e uma fileira de nomes que se resumem no fato de se ter vergonha na cara. Mais ou menos assim: quando criança rolava o troca-troca, isso era considerado normal; mas quando o cabra da peste resolvia trocar com outro na fase adolescente ou adulta...virava viado! Hoje não, tá tudo liberado (?), ninguém se importa mais em manter a velha e boa imagem pautada no princípio, mas sim ao sabor do vento e onde o mourão para se escorar esteja mais firme. Tem gente que dorme ateu e acorda cantando hinos de louvor e tem outros que bota a estrela no peito, porém ainda guarda o cheirinho da poltrona do avião de ACM. Não estou aqui relacionando meus dois amigos com esta "falta de esculhambação", termo do meu velho amigo Elomar Figueira de Melo, que entrevistei um dia desses no Centro de Cultura, antes de um belíssimo show dele.

A boataria na cidade começou com a presença de Paulo Nunes na base governista do prefeito Guilherme Menezes, também meu grande amigo, só não comungamos da mesma estrelinha, aliás não tenho estrela, bandeira ou porra nenhuma, sou artista
e por isso, procuro viver à margem do processo partidário. Mas não é porque estou à certa distância do meio que deixo de ser um bom entendendor das nuances dos articulistas ensaboados desta cidade, rica empresarialmente, modestamente bem administrada, mas ainda uma província no trato com seus intelectuais.

Espero não estar colocando nenhum rancor neste texto, pois o lombo calejado não arde mais o açoite da chibata. E, voltando a "vaca fria" gostaria de dizer para aqueles que, por desconhecimento de causa, tomam um susto quando se ausentam de Vitória da Conquista e no retorno vêem as cartas do baralho trocadas de mão.

Engraçado, tenho que voltar no tempo da transição da época negra da Ditadura Militar para um Estado Democrático "supostamente" de Direito. Quem aí se lembra da posição de uma cobra criada como José Sarney durante o Regime Militar. Lá estava ele de presidente da Arena, direita extrema. E, na costura da candidatura de Tancredo Neves, não é que o homem aparece vice na chapa presidencial, assumindo o país depois da morte do "passarinho de Fafá de Belém". Faz-me rir quem ainda se assusta com o troca-troca nos bastidores da política. É a mesma coisa de uma mãe pegando o filho e o sobrinho roçando ensaboados debaixo do chuveiro. Não precisa fazer análise com nenhum psicoterapeuta, nem sair arrancando os cabelos pela rua. Basta aceitar a realidade: o seu filho pode ser gay, porém o seu candidato, esse sim, é um vira-casaca.

 Será que podemos citar algumas raríssimas excessões? É sim, tem gente ainda com conduta ilibada, que não se rende ao poder de maneira tão vergonhosa! Depois de gravitar nessa espécie de suruba de argumentos, reafirmo que tanto um quanto o outro jornalistas em questão devem saber o que fazem das suas carreiras políticas, se bem que Hérzem tem que ter mais cuidado, pois quem sabe o pastor lhe puxe a orelha ou seus ouvintes desliguem o rádio. Paulo Nunes está mais na retaguarda, pois está apenas na base de apoio e não pretende se candidatar. A verdade é que os dois têm muitos pontos em comum, na ironia, nas alfinetadas, no meio em que trabalham. Se eu tivesse a oportunidader de sentar à mesa com eles, aproveitaria a oportunidade para desfilar um silêncio sepulcral, dilatar todos os ossos do ouvido para testemunhar o que um falaria com o outro cara a cara. E nessa situação, qual lado seria o seu, caro leitor? Da minha parte, aconselho aos meus amigos a não "meterem a colher em briga de marido e mulher". Êpa, mais são dois homens reconhecidamente heterossexuais, que podem até ter feito um troca-troca quando eram crianças, vai lá saber, mas que se odeiam ou se amam.

De fato, o troca-troca de farpas apimenta a política local, quanto mais em véspera de eleições municipais.É bom ir se acostumando com essas mudanças de quadro, como você já se acostumou em ver o jogador do seu time passar a vestir a camisa do seu arquirival, como você já se acostumou com as notícias que a esposa de não sei quem lhe deu um belo par de chifres. Dizem que quando o cara não troca quando pequeno, depois de grande??? Mas em política o troca-troca é um hábito consumado e deixem eles com as suas consciência, porque o seu voto, contra a superior vontade da massa "analfabeta politicamente" não irá pesar na consciência de ninguém!

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