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quinta-feira, 10 de maio de 2012

CONJUNTURA DA ORDEM



* Por João Paulo Pereira


Desde que Wilhelm Reich dedicou seus estudos as interferências em que a sociedade exerce sobre a questão sexual e ao mesmo tempo o que esta interferência iria produzir diante da questão social, já que ele defendia uma organicidade das relações humanas e uma influencia das questões psíquicas e biológicas nas questões sociais, e ali ele apontava que o pleno desenvolvimento deste estado de coisas, produzido pelo capitalismo, levaria a uma estagio de “neurose coletiva”, sendo muito questionado e perseguido em função de suas pesquisas, o mundo vem sofrendo mutações nocivas de forma muito rápidas.

Segundo essa organicidade das relações defendidas por Reich, a interferência se daria em todas as áreas da vida, nas relações humanas, na ecologia, nas questões sociais, políticas, econômicas e culturais, “certas disfunções da energia orgone podem ser observadas, no entendimento do autor, tanto no câncer quanto nos processos de desertificação do planeta”, p/Ailton Bedani.

Essa teoria passa para prática e atualmente assistimos a um momento histórico de total desordem psíquica, social, política, ecológica, uma sociedade autodestrutiva, onde o homem completamente sem controle e aí no tem como o Estado de Direito coibir esse a ação humana, pois nenhuma força repressiva ou filosofia política dentro da lógica administrativa pode da conta do que está acontecendo com a humanidade em estado de neurose coletiva, aprisionada nos medos de não dá conta de uma vida que está alem do ser e que lhe impõem a necessidade de ter e acumular riquezas para ser respeitado em sua humanidade, nos desejos individuais colocados acima dos coletivos, de uma competição sem controle para provar quem é o melhor que determinam estados de loucuras coletivas, até quando se refere ao futebol e outros elementos culturais que deveriam promover alegria e se tornam motivos de verdadeiros conflitos entre grupos, ou indivíduos, podemos citar o exemplo das festas populares.

Esse estado da vida atual que podemos classificar como neurose coletiva, o desregramento ético e moral, a violência, o descaso com o conhecimento, a falta de sensibilidade da espécie humana, o desejo pelo poder, que segundo Michel Foucault, não se dá só no macro, mas se desenvolve em todas as esferas da sociedade, a acumulação de poucos que exploram o trabalho de muitos, a fuga dos indivíduos nas drogas, que buscam esconder suas frustrações pessoais e sociais, por fim a falta de amor, de cuidado com ambiente em que vivemos, a falta de respeito pela vida, tudo isso é o que Reich classificou de neurose coletiva.
E estamos no limiar das decisões, ou passamos a lutar para transformar esse estado de coisas, e para isso é preciso compreender que é uma luta política que vise à superação deste Estado e a construção de uma nova sociedade, com princípios de vida mais presentes, e superando esses princípios de morte, ou estaremos condenando o mundo, a vida, e a nossa nave mãe a Terra a um fim definitivo.
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João Paulo é Historiador e Professor

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