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Servidão, Estado e Imperialismo
Servidão, Estado e Imperialismo:
Uma leitura marxista do discurso sobre a servidão voluntária
e seus limites para a análise da venezuela contemporânea
*Dirlei A. Bonfim
*Herberson Sonkha
RESUMO
O presente artigo propõe uma releitura crítica do Discurso sobre a Servidão Voluntária, de Étienne de La Boétie, a partir do instrumental da teoria social marxista, examinando seus limites explicativos para a compreensão da crise política venezuelana e das tensões geopolíticas associadas à possibilidade de intervenção externa por parte dos Estados Unidos. Sustenta-se que, embora La Boétie ofereça uma intuição relevante acerca da dominação fundada no consentimento dos dominados, sua formulação permanece insuficiente para explicar as formas contemporâneas de poder em sociedades capitalistas dependentes. A partir das contribuições de Marx, Engels, Gramsci, Althusser, Lênin, Poulantzas e do marxismo latino-americano (com destaque para Vânia Bambirra e Eduardo Galeano) argumenta-se que a dominação deve ser compreendida como resultado da articulação entre coerção, hegemonia, estrutura de classes, dependência histórico-estrutural e imperialismo. Conclui-se que a superação da dominação não decorre da simples recusa à obediência, mas de processos históricos de organização política e transformação das condições materiais de existência.
Palavras-chave: Servidão voluntária. Marxismo. Estado. Dependência. Imperialismo. Venezuela.

