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Pedra Branca faz o futebol voltar às origens
*por Herberson Sonkha
Fotos: Blog do Sonkha
VITÓRIA DA CONQUISTA (BA) — Enquanto o futebol profissional se converte, cada vez mais, em vitrine de cifras bilionárias, contratos publicitários e calendários exaustivos ditados pelo mercado, um torneio realizado na manhã deste domingo (26), no povoado de Pedra Branca, zona rural de Vitória da Conquista, recolocou o jogo em sua dimensão mais essencial: a do encontro comunitário. O 2º Torneio da Pedra Branca, reunindo oito equipes, mostrou que o futebol, antes de ser indústria, continua sendo cultura popular.
Ali não havia camarotes, VAR, placas de LED ou gramados impecáveis. Havia terra batida, improviso, rivalidade sadia, chuteiras gastas e arquibancadas formadas pelo povo em torno do campo. Havia, sobretudo, aquilo que por vezes falta ao futebol-espetáculo: pertencimento.
A competição reuniu equipes da região em partidas marcadas por entrega, vigor e celebração do futebol de base. A premiação em dinheiro e o show comemorativo previsto para o campeão ampliam o sentido do torneio como festa e ritual coletivo. Não se trata apenas de disputar uma taça, mas de reafirmar laços sociais que o esporte, em sua dimensão comunitária, ainda preserva.
O evento contou com a presença do desportista e liderança política Almerindo Neto, representando os mandatos dos deputados Waldenor Pereira e Osni Cardoso. A presença institucional, neste caso, não apareceu como protocolo, mas como sinalização de apoio ao esporte amador, historicamente negligenciado pelo poder público.
Num país em que o discurso sobre futebol quase sempre se concentra nos grandes centros e nos clubes milionários, torneios como o da Pedra Branca lembram que o chamado futebol raiz não é folclore, mas base material da cultura esportiva brasileira. É nesses campos de várzea e comunidades rurais que se produz sociabilidade, disciplina, lazer e até economia.
Porque o torneio movimentou também o pequeno comércio local. Vendedores de refrigerante, cerveja e churrasquinho transformaram o entorno do campo em circuito econômico popular. Cada partida atraía consumidores; cada gol ampliava a festa. O futebol, aqui, cumpriu também função de dinamização comunitária.
Há algo politicamente relevante nisso. Em tempos de esvaziamento dos espaços públicos, um torneio rural consegue reunir famílias, juventude e trabalhadores em torno de um acontecimento comum. O campo torna-se praça, arena e ágora.
A Pedra Branca, com seu torneio, recorda que o futebol não nasceu para servir ao mercado, mas para criar vínculos. E talvez essa seja sua dimensão mais revolucionária: seguir sendo, mesmo em condições precárias, uma linguagem popular de alegria e pertencimento.
No apito final, mais do que um campeão, venceu uma ideia de futebol. A de que o jogo, quando devolvido ao povo, volta a ser inteiro.
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