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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Professor da UNEB é agredido durante o Grito dos Excluídos

 

"Professor da UNEB é agredido com soco na cabeça

durante o Grito dos Excluídos, em Vitória da Conquista.

Docente Marcelo Neves sofreu sangramento intracraniano

e foi internado na UTI; caso é investigado pela Polícia Civil."



*por Herberson Sonkha



O professor Marcelo Neves, docente da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e dirigente do Partido dos Trabalhadores (PT), foi agredido fisicamente na manhã desta segunda-feira (7), durante a marcha do Grito dos Excluídos, em Vitória da Conquista. As imagens de câmeras de vários manifestantes mostram o momento em que um homem, vestindo camisa branca da Secretaria Municipal de Educação, se aproxima pelas costas e desfere um soco na nuca do educador.

Após o ataque, Marcelo Neves registrou boletim de ocorrência e foi encaminhado ao hospital IBR, onde deu entrada com queixa de forte dor de cabeça. O médico plantonista solicitou uma tomografia computadorizada de crânio, que identificou um sangramento intracraniano na região direita do cérebro. Diante da gravidade, o paciente foi internado e, após cumprir seis horas de observação, transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permanece sob monitoramento. Uma ressonância magnética está prevista para complementar o diagnóstico.

O ataque, ocorrido em plena via pública durante uma manifestação política e social, levanta alertas sobre o avanço da intolerância e da violência no ambiente democrático. Divergências políticas são inerentes à democracia; agressões físicas, não.


Tradição de Protesto e Resistência

Realizado anualmente desde 1995, o Grito dos Excluídos ocupa as ruas no 7 de Setembro para dar voz a movimentos sociais e denunciar as desigualdades estruturais do país. Em Vitória da Conquista, a manifestação sempre integrou o calendário de atividades da data, mesmo durante as gestões do PT e de partidos aliados, quando prefeitos como Guilherme Menezes e José Raimundo permaneceram no palco oficial e jamais obstruíram a passagem dos manifestantes ou orientaram qualquer tipo de represália a críticas e protestos.

A situação atual, no entanto, indica uma mudança de postura. Com a ascensão do bolsonarismo e de práticas autoritárias na política municipal, o Grito dos Excluídos tem encontrado crescentes dificuldades para ocupar a avenida e exercer seu direito de manifestação. Participantes relatam que, nos últimos anos, a administração municipal tem colocado os movimentos sociais por último na programação do desfile – quando a prefeita já deixou o local – e utiliza veículos antigos para retardar ou dificultar a passagem da marcha, o que antes poderia ser visto como desorganização, mas hoje se repete de forma sistemática.


Investigação e Defesa da Democracia

A agressão contra Marcelo Neves, se confirmada como motivada por razões político-ideológicas ou vinculada a grupos organizados, exige apuração rigorosa por parte das autoridades competentes. A Polícia Civil já foi acionada e deve analisar as imagens e ouvir testemunhas.

O episódio, contudo, transcende o caso individual. O soco desferido traiçoeiramente na cabeça do professor não feriu apenas um militante partidário – atingiu o direito de manifestação, a liberdade de expressão e o próprio Estado Democrático de Direito. Contra essa violência, não basta indignação: é imprescindível investigação, responsabilização e a defesa intransigente da democracia. O Grito dos Excluídos nasceu para dar voz a quem sempre foi silenciado – e não pode ser calado pela força.

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