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NEM SÓ DE CURTIDAS VIVE A POLÍTICA
NEM SÓ DE CURTIDAS VIVE A POLÍTICA: O Que o Resultado de 2026 Ensina à Oposição Conquistense
*Por Ronnie Peterson
Para concluir minhas análises sobre os desdobramentos eleitorais em Vitória da Conquista, volto meu olhar atentamente para os campos da oposição à prefeita Sheila Lemos.
Se o resultado para a chefe do Executivo municipal não é dos mais animadores, pelo lado daqueles que se colocam como possíveis adversários de seu grupo político há um leque amplo e fascinante de possibilidades.Acredito que a atual conjuntura política faz com que o eleitorado procure, cada vez mais, novidades. Desde o último pleito municipal, o advogado Marcos Adriano ganhou holofotes nas redes sociais como um dos mais ferrenhos críticos da gestão de Sheila. Suas publicações alcançaram números expressivos, provocaram debates inflamados e fizeram com que boa parte dos analistas criasse uma enorme expectativa em torno do seu desempenho como candidato ao Legislativo.
Contudo, a abertura das urnas veio para demonstrar, mais uma vez, que engajamento digital e curtidas nem sempre se convertem em sucesso eleitoral na vida real. Sem um partido estruturado e organizado, sem militância orgânica nas ruas e cercado por apoiadores pouco eficazes, o desfecho não poderia ser muito diferente daquele desenhado na apuração. Há quem ainda aposte no nobre causídico como uma opção viável para 2028, mas um resultado tão frustrante inevitavelmente exigirá dele profundas mudanças de rumo e de objetivos políticos.
Por outro lado, Quinho Tigre, que também se colocou no pálio para a disputa e tem aspirações sobre o Executivo municipal, teve um desempenho bastante interessante em termos quantitativos. Além de ter alcançado uma votação expressiva no município, com destaque marcante para a zona rural, o ex-prefeito de Belo Campo contou com o apoio decisivo de sua esposa, a vereadora Leia, somado ao prestígio de nomes de peso como Otto Alencar e Rui Costa. Quinho demonstrou que sua capacidade de articulação política pode ser a chave mestra para se credenciar de vez como concorrente em 2028. Como primeiro suplente, é altíssima a probabilidade de que ele assuma o mandato já nos primeiros meses de 2027. Isso será excelente para suas pretensões pessoais e, ao mesmo tempo, reforçará a representação conquistense na Assembleia Legislativa da Bahia.
Todavia, a oposição mais estruturada e tradicional ainda está centrada no Partido dos Trabalhadores, e é aqui que precisamos nos debruçar para uma reflexão detalhada. Zé Raimundo, como eu já havia destacado anteriormente, foi reeleito sem grandes sustos, mantendo em nossa cidade um patamar de votos apenas ligeiramente inferior ao obtido em 2024. Já seu companheiro de santinho, Waldenor, obteve quase 100 mil votos no total, dos quais mais de 30 mil saíram diretamente das urnas conquistenses.
Se compararmos isoladamente com a eleição passada, poderíamos dizer que ele manteve seu padrão de votação. No entanto, o volume total se mostrou insuficiente frente às projeções feitas antes do pleito. Com isso, Waldenor ficou distante da reeleição e Vitória da Conquista acabou perdendo seu único deputado federal com vida e militância política genuinamente radicação no município, afinal, embora Jorge Solla tenha domicílio eleitoral em Conquista e já tenha exercido o cargo de secretário municipal de Saúde, convenhamos que ele não atua como um político local.
O petismo sofreu de males parecidos aos do próprio grupo de Sheila, outros candidatos de fora foram muito bem votados por aqui, impulsionados pelo apoio de vereadores da cidade, e as divisões internas fragmentaram a base, inviabilizando a reeleição de Nonô. Hoje, os petistas padecem da falta de renovação e de lideranças com capilaridade e carisma suficientes para que se possa apontar um favorito claro para a sucessão. Caso ninguém consiga se destacar organicamente nessa posição, corremos o risco de ver a repetição exaustiva de um nome já bem conhecido.
Mas foi exatamente dentro desse mesmo campo político que fiz questão de destacar, ainda antes da eleição, o trabalho de Fabrício Falcão. Ele vem construindo uma atuação marcante em diversos setores, que vão da juventude à educação, mantendo a jovialidade e uma identificação profunda com a nossa terra. O resultado das urnas veio coroar essa trajetória: com mais de 21 mil votos na cidade, em um cenário altamente pulverizado por vários candidatos do PT e outros partidos, o comunista sagrou-se como o terceiro deputado estadual mais votado em Conquista. Confirmando minha expectativa, Fabrício desponta hoje como uma alternativa com credenciais irretocáveis para 2028. Se o campo da esquerda local carecia de um nome forte, hoje nenhum reúne condições tão favoráveis quanto ele.
Não sou profeta e tampouco visionário, mas é fato conhecido no meio político que a eleição de 2028 começou no exato momento em que se fecharam as urnas de 2026. Duas semanas após o resultado, as peças e os grupos já estão se movimentando no tabuleiro. Resta-nos acompanhar de perto e ir lendo as entrelinhas e "estrelinhas" que vão desenhando o futuro político da Joia do Sertão.


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